De passagem e passageiros se constrói uma viagem
Dia desses estava a caminho da escola. Uma viagem tranqüila e sem novidades. O ônibus estava parado em um farol, quando o sinal abriu dei por conta todos os carros passando por mim e eu ali esperando o motorista terminar seu assunto com o motorista da linha intermunicipal. Que coisa, mas foi nesse momento que me surgiu a seguinte comparação: Escola x ônibus – que viagem é essa?
Então segui por esta metáfora sem imaginar o que estava acontecendo. Imaginem vocês, uma viagem de ônibus – parece normal até este momento, certo?
No entanto esse processo de sair de casa, pegar o ônibus, sentar no banco, olhar para as garotas na rua, ver o velho pedindo dinheiro, perceber que está próximo de seu destino, levantar, dar o sinal e Pronto! – linha de chegada, e certamente a linha de partida, pois você voltará pelo mesmo caminho para chegar ao início desta imensa viagem que fazemos diariamente.
O que me deixa curioso é que nesta analogia, (s.f. investigação da razão das semelhanças das coisas ou a semelhança entre duas coisas sob certos aspectos) então esta comparação tornou-se inquientante.
Vejam vocês: Quando você entra em um ônibus sabe onde quer chegar, sabe teu destino ou se preferir está a caminho, e este último compreende vários desvios, contratempos.... Mas mesmo assim você escolhe o caminho, o ônibus, se bem que na verdade não se pode escolher muito, mas há duas ou três opções. Como se sente com esta autonomia? Livre, não? Porém, o tal do motorista, que pode ser aquele que ficou de papo com seu colega, nem se importa com o trajeto do seu destino – aliás, ele o faz repetidamente várias vezes ao dia e quiçá somar quantas vezes no ano....
Muitas vezes estamos com calma, queremos fazer nossa viagem olhando cada detalhe, mas naquele dia quem está apressado é o tal do motorista que pisa fundo e você passa sua viagem em solavancos. Nem se fala quando estamos com uma pressa danada, atrasados mais que o relógio do vovô papudo - lembram-se? 05h60? – então, mas justamente neste dia o motorista está calmo, relaxado, bem tranqüilo – certo que o dever esta sendo cumprido de acordo com a lei. Que confusão! Mas esta viagem ainda não termina aqui. Você ainda escolhe onde descer, como descer – enfim ainda é “livre” para viajar.
Vocês devem se perguntar onde quero chegar, certo? Mas o pior é que eu nem sai ainda...
A escola também vive este mesmo trajeto. Mas os passageiros não são tão livres assim! Neste caso o motorista não permite que este passageiro faça sua viagem em tranqüilidade, pois é ele – o “motorista” que sabe muito bem onde começa e termina esta viagem.
O “passageiro” segue mudo, calado – afinal ele sai e chega num destino cerrado, pré-determinado e “seguro”.
Ele não pode descer – deve subir e descer quando esta imensa viagem acabar. Quando ele está com pressa este “motorista” quer andar bem devagar - se o danado do passageiro apressado reclamar com o andar da carruagem, quer dizer do ônibus... já sabem, o problema está no passageiro!
E por ai se vê a dificuldade desta viagem “escolar” – os passageiros e o motorista estão presos a uma viagem, que muitas vezes não tem diálogo, não tem sol, nem chuva – o que se tem de “certo” é o destino, mas até este está cansado de ser sempre o mesmo. E você, vai descer onde?
Escrito por Luiz Fernando às 4:52 PM
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Convite
Chega mais perto e comtempla as palavras.
Cada uma
Tem mil faces secretas sob a face neutra
E te pergunta, sem interesse pela resposta
Pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Carlos Drummond de Andrade
Pela palavra nomeamos o mundo e somos nomeados. Objetos, cores e formas, modos de ser, de dizer e de fazer, o que existe e o que poderá existir, tudo tem nome, tudo pode ser nomeado.
No jogo das palavras, construímos a nossa própria identidade, dizemos o mundo e nos dizemos no mundo. Mas é pela palavra que interrogamos essa mesma identidade e suspeitamos dela: "Eu, quem era? De que lado eu era?" (João Guimarães Rosa)
Afirmação e negação, encontros e desencontros, verdades e trapaças - centro e margem. Enfim o Pensamento.
Desejo fazer um convite. Aqui nesta "máquina de homens" criarmos uma fábrica de sonhos, e de sonhos proibidos!
Espero vocês,
Luiz
Escrito por Luiz Fernando às 12:41 AM
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