Da Imagem e Semelhança à Perfeição
Quando iniciamos um debate sobre a formação de professores e sua prática temos em vista uma visão diacrônica que estabelece um paradigma: de um lado a postura correta e do outro a perfeição.
Não é difícil imaginar o pensamento de milhares de professores que atuam nas esferas públicas e privadas, seu discurso agride toda e qualquer reflexão sobre o assunto.
Quando estamos em um curso de licenciatura procuramos um resultado mediatista, ou seja, concluirmos o curso, sem ao menos percebermos o que será feito de tais conceitos assimilados em sala.
Pode parecer um pouco obvio iniciarmos o tema “professor reflexivo” por este pensamento, mas o que me despertou foi o seguinte trecho de Carvalho,1990: “O trabalho é uma ação humana intencional que busca continuamente transformar a natureza a fim de ajusta-la às necessidades do homem”.
Observe que para Carvalho e todo o pensamento iluminista, o trabalho é uma ação intencional, o que nos parece algo racional, muitas vezes não o é. Portanto a formação docente atinge a proposta de preparar um profissional reflexivo. Ou melhor, quantos jovens e estudantes ingressam no magistério sem ao menos saber "O que é Educação" ? Certamente diríamos que a prática fortalece o educador diante da perspectiva social. Não podemos é claro culpar as Instituições, nem tão pouco o aluno, uma vez que o espaço de atuação está longe de ser conquistado.
Certo dia eu estava conversando com a Coordenadora Pedagógica de minha escola quando sua secretária entregou-lhe um material a ser copiado como atividade para os alunos da 4a série . Ela suspendeu os olhos e disse decepcionada:
- Meu Deus, quanto tempo isso existe?
Seria esse o caminho para questionarmos o tema “Professor reflexivo”. A professora talvez não leu a frase de Carvalho? Talvez não reconhecesse a necessidade de ajustar sua prática ao grupo de alunos atual? Ou apenas está aplicando uma atividade, o que não afirma nem contradiz sua consciência como educadora?
No entanto, vivemos em um contexto muitas vezes opressor, pois entre matérias específicas e palestras de grandes nomes do cenário Educacional – o professor é investigado, analisado e apresentado entre dois eixos: A imagem e semelhança de teorias e ideólogos - A perfeição de sua prática.
Não afirmo ser um equívoco determinadas teorias, bem como estudos autobiográficos. Mas, podemos considerar o contexto político-social como um curinga nesta discussão. O que diremos pois, de Freud.
Hoje, o profissional da área de educação, muitas vezes sente-se oprimido, insatisfeito e ameaçado diante um “Tratado Pedagógico”.
Marx, apropriando-se da expressão grega práxis, concebe o trabalho como atividade especificamente humana, através do qual o homem cria, criando e transformando o mundo. O que pois, nossos professores estariam criando? E estariam eles transformando o pensamento individual e seu próprio mundo?
Qua teoria, qual pesquisa evidenciariam um sucesso em sua atividade? Mas, para mim o que torna cada vez mais desestimulador em seu papel é a dicotomia entre a perfeição e a comparação com os colegas, o que é inevitável. No entanto somos seres infinitamente únicos nestas metafóricas entrelinhas.
Referência Bibliográfica:
ALVES, Nilda (org.). Formação de Professores: pensar e fazer. 7a. ed. São Paulo: Cortez, 2002
Escrito por Luiz Fernando às 1:40 PM
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