Bom Professor? - Parte I

Observe os quadros comparativos a seguir:

Quadro 1 - Formação do Professor monocultural (para uma cidadania uniforme)

Descrição do Professor

Finalidade da formação

Enquadramento teórico do professor multicultural

Cientificamente competente

Dominar conteúdos disciplinares e didáticas das disciplinas. Valorizar a aquisição de saberes universais e do desenvolvimento cognitivo pela aprendizagem

Escola como campo de aquisição de saberes

Professor eficiente, justo e exigente

Praticar corretamente a avaliação

Aumento da competência eficácia a normatização como objetivos.

Professor preocupado com dificuldades dos seus alunos; disponível.

Identificar handicaps e dificuldades de aprendizagem

Explicações psicológicas e biológicas das dificuldades escolares.



Escrito por Luiz Fernando às 2:27 PM
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Bom Professor? - Parte II

Quadro 2 - Formação do Professor intermulticultural (para uma cidadania colorida)

Descrição do Professor

Finalidade da formação

Enquadramento teórico do professor multicultural

Professor vulnerável à dúvida (e, portanto se interroga)

Abalar a segurança do professor, questionar-se sobre causas de resultados mais ou menos positivos obtidos pelos alunos

Valorização do papel que pode ter a escola no sucesso e insucesso dos alunos

Professor flexível, agente e investigador (educador) que proporciona formas de aquisição de saber, de poder e de exercícios de cidadania aos seus formandos.

Contribuir para o desenvolvimento de um clima de democracia participativa na escola

Concepção do bilingüismo cultural crítico e da consciência do direito à cidadania como meta.

Professor capaz de investigar.

(na área de etno-sociologia)

Identificar e compreender características que informam a heterogeneidade dos alunos.

Aceitação e rentabilização da diferença.



Escrito por Luiz Fernando às 2:24 PM
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                                Bom Professor? - Parte III

 

A comparação estabelecida acima é um recorte do que nos apresenta Cortesão e Stoer em Navegando à Bolina material em pesquisa pela Editora Porto. No entanto é possível discutir o papel do professor reflexivo no plano estabelecido pelos autores.  No primeiro quadro observamos o papel restrito que o professor vivia aplicado a uma prática escolar, em conseqüência de avanços ideológicos e pesquisas apresenta-se um papel reflexivo e atuante do "professor ideal" no segundo quadro.

No entanto, é possível compreender que são fatos isolados, nos quais a escola e o aluno apresentam uma atuação que chamo de “simbólica”, pois não levamos em conta os desafios que os professores enfrentam ao aplicar sua visão multicultural. No segundo quadro o professor ativo desempenha a função de investigador contemplando a questão social e não mais conteudista.

Observa-se que a visão de uma cidadania “colorida” apresenta um professor reflexivo, questionador de sua prática, o que talvez amplie sua atuação contribuindo com o papel da educação nos contextos político-sociais.

A busca muitas vezes é solitária, portanto a conquista de um saber é considerada uma descoberta.

O professor reflexivo busca investigar sua prática e torná-la concreta e real nas dimensões sociais e psicológicas. No entanto, é necessário compreender que existem conflitos e dificuldades no processo de formação e identidade deste professor e que talvez as atividades propostas por grupos pequenos ainda não sirvam de estimulo para grande parte dos colegas.

No primeiro quadro e no segundo apresentamos professores que diferem-se por atitudes e conceitos, é fácil compreender essa diferença. Mas, podemos afirmar qual seria o modelo de um bom professor? Ou até mesmo afirmarmos que um professor preso à conceitos “daltônicos” não é reflexivo?

O que diriam, pois seus alunos?

O professor reflexivo estaria condenado à morte, como afirma Cortesão?

Quando percebemos o interesse em buscar tais respostas, nem sempre claras e diretas construímos uma vertente à questão do professor reflexivo, uma vez que ainda não questionamos sua "eficácia".

   A idéia de um professor reflexivo pode aumentar os desafios de uma formação completa e predisposta ao discurso pedagógico igualitário. Não podemos nos considerar detentores de um saber único e absoluto. Mas também não podemos acreditar que a pesquisa e reflexão façam da escola e do conhecimento ambientes democráticos, pois se não totalmente a prática educativa pode alguma coisa no discurso dialético da educação.

É importante pesquisarmos e buscarmos uma reflexão diária do compromisso com alunos e escolas, no entanto não devemos nos esquecer como indivíduos únicos e solitários, muitas vezes.



Escrito por Luiz Fernando às 2:09 PM
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                 Ser ou não ser      eis a questão.

 

Recentemente li o livro da professora Luiza Cortesão, Ser Professor: um ofício em risco ou extinção? Durante as 124 páginas que completam sua obra, a autora apresenta um único eixo de discussão intitulado “daltonismo cultural”. Que seria pois, este termo? Uma vez pedi uma reunião com minha Diretora, pois este era o primeiro ano que lecionava naquela Instituição, sendo assim gostaria de ouvir sua avaliação sobre o meu desempenho. Após alguns elogios ela disse:

- Você chegou aqui com um conceito de educação lindo, como um castelinho de contos de fada. Mas vejo que isso passará. Nossa realidade é outra.

Acreditem que está escola é Privada, e não o “Caldeirão do Inferno”, termo que colegas usam para a Escola Pública.

Quando sai da sala, fiquei questionando, talvez como Hamlet ou talvez procurando um sentido para Vida, como Veríssimo. No entanto, o que diria pois, Luiza Cortesão sobre minha prática diante desse acontecimento?

Ainda em seu livro, Cortesão apresenta o seguinte trecho de Lyotard, 1989: “Mas também quem preveja para estes actores sociais, um destino sombrio e anuncie, de forma segura, as condições que conduzem à próxima morte do professor”. 

Segundo este autor, afirma Cortesão,a “Morte” ocorrerá em conseqüência de um confronto desigual entre o professor e todos os meios que, atualmente se podem propor em um discurso dialético.

Será que eu “morri” após minha conversa com a Sra. Diretora, ou adormeci entre o intervalo do que desejo ser e os desejos que as palavras das pessoas fizeram de mim, segundo Fernando Pessoa.

Posso acreditar que a reflexão nasce entre o conflito? Entre os discursos opostos, mas pedagógicos?  Finalmente para Luiza Cortesão a resposta é simples: Sim e Não. Sim, porque, dependendo de seu enquadramento em determinado tipo de classificação, sua condenação é certa: não, porque nunca haverá espaço e oportunidade para a substituição o educador inserido no campo da pedagogia crítica e da libertação.

Como poderemos nós, professores e pesquisadores vivermos juntos nestas condições? Há uma formação que prepare o professor para estes conceitos e conflitos?

O papel do professor reflexivo e o professor pesquisador se completam, pois, se tenho dúvidas, sinto uma necessidade de decifra-la. Portanto o professor torna-se infinitamente mais professor. Mas, resta-nos saber quem quer ser professor? E quem quer apenas um sistema bancário de conhecimentos, como afirma Paulo Freire. Um tradutor de conhecimentos que privilegiado aposta em um discurso autoritário do saber humano. Lembre-se que falo de um país chamado Brasil.

Muitas vezes, encontramos diversas “Maria Rosas” em nosso caminho que acreditam que sonhar não enche barriga. Talvez, ela não tenha lido  história de “João e o pé de feijão”.

 

(obs.: Este texto foi publicado em 28/08/04, por problemas no diretório foi excluído sendo republicado hoje. Desculpem-me os visitantes que comentaram sobre o texto)



Escrito por Luiz Fernando às 2:01 PM
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