Ser ou não ser eis a questão.
Recentemente li o livro da professora Luiza Cortesão, Ser Professor: um ofício em risco ou extinção? Durante as 124 páginas que completam sua obra, a autora apresenta um único eixo de discussão intitulado “daltonismo cultural”. Que seria pois, este termo? Uma vez pedi uma reunião com minha Diretora, pois este era o primeiro ano que lecionava naquela Instituição, sendo assim gostaria de ouvir sua avaliação sobre o meu desempenho. Após alguns elogios ela disse:
- Você chegou aqui com um conceito de educação lindo, como um castelinho de contos de fada. Mas vejo que isso passará. Nossa realidade é outra.
Acreditem que está escola é Privada, e não o “Caldeirão do Inferno”, termo que colegas usam para a Escola Pública.
Quando sai da sala, fiquei questionando, talvez como Hamlet ou talvez procurando um sentido para Vida, como Veríssimo. No entanto, o que diria pois, Luiza Cortesão sobre minha prática diante desse acontecimento?
Ainda em seu livro, Cortesão apresenta o seguinte trecho de Lyotard, 1989: “Mas também quem preveja para estes actores sociais, um destino sombrio e anuncie, de forma segura, as condições que conduzem à próxima morte do professor”.
Segundo este autor, afirma Cortesão,a “Morte” ocorrerá em conseqüência de um confronto desigual entre o professor e todos os meios que, atualmente se podem propor em um discurso dialético.
Será que eu “morri” após minha conversa com a Sra. Diretora, ou adormeci entre o intervalo do que desejo ser e os desejos que as palavras das pessoas fizeram de mim, segundo Fernando Pessoa.
Posso acreditar que a reflexão nasce entre o conflito? Entre os discursos opostos, mas pedagógicos? Finalmente para Luiza Cortesão a resposta é simples: Sim e Não. Sim, porque, dependendo de seu enquadramento em determinado tipo de classificação, sua condenação é certa: não, porque nunca haverá espaço e oportunidade para a substituição o educador inserido no campo da pedagogia crítica e da libertação.
Como poderemos nós, professores e pesquisadores vivermos juntos nestas condições? Há uma formação que prepare o professor para estes conceitos e conflitos?
O papel do professor reflexivo e o professor pesquisador se completam, pois, se tenho dúvidas, sinto uma necessidade de decifra-la. Portanto o professor torna-se infinitamente mais professor. Mas, resta-nos saber quem quer ser professor? E quem quer apenas um sistema bancário de conhecimentos, como afirma Paulo Freire. Um tradutor de conhecimentos que privilegiado aposta em um discurso autoritário do saber humano. Lembre-se que falo de um país chamado Brasil.
Muitas vezes, encontramos diversas “Maria Rosas” em nosso caminho que acreditam que sonhar não enche barriga. Talvez, ela não tenha lido história de “João e o pé de feijão”.
(obs.: Este texto foi publicado em 28/08/04, por problemas no diretório foi excluído sendo republicado hoje. Desculpem-me os visitantes que comentaram sobre o texto)
Escrito por Luiz Fernando às 2:01 PM
[]
|